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Ô baiana

A Barca

Ô baiana

ô baiana que vem de Alagoas
teu bumba não zoa
de vida achurriada
três pancadas do lado de fora
baiana vam'bora
que é de madrugada
é um é dois é três
baiana cheguei
arrepare quem vai
seu rapaz o senhor não tá vendo
baiana dizendo
num peleje mais
ô baiana, quem foi que te disse
que bala de rifle
matava ninguém
a bala que mata é bala de revólver
choque de automóvel
trombada de trem
ô baiana, o Ernâne casou
não me convidou
fez papel de safado
o calçado, sapato sem meia
a noiva era feia
como um trem virado
ô baiana, se você quiser
eu faço um chalé
que é pra nós dois morá
barrado de prata, bordado de ouro
parece um tesouro
de Minas Gerá

Ô baiana

Oh baiana que viene de Alagoas
tu bumba no se calla
de vida apretada
tres golpes afuera
baiana vámonos
que es de madrugada
uno, dos, tres
baiana llegué
mira quién viene
tu chico, ¿no ves?
baiana diciendo
no pelees más
Oh baiana, ¿quién te dijo
que una bala de rifle
no mata a nadie?
La bala que mata es la de un revólver
choque de automóvil
choque de tren
Oh baiana, Ernâne se casó
no me invitó
se portó como un desgraciado
los zapatos, sin medias
la novia era fea
como un tren volcado
Oh baiana, si quieres
hago una cabaña
para que vivamos juntos
con barras de plata, bordado en oro
parece un tesoro
de Minas Gerais

Escrita por: Anotado Por Mário De Andrade Em 1929