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Boiada

Abel e Caim

Boiada

Boiada triste boiada
Na estrada cheia de pó
Boiada o meu coração
Também caminha tão só

Levando junto a saudade
Velha esperança guardada
Vai carregando a tristeza
A passo lento na estrada

Saí de casa menino
Deixei chorando meus pais
Cresci no mundo sozinho
E não voltei nunca mais

A irmã deve estar casada
A mãe que nunca me esquece
Meu pai decerto está velho
O irmão já nem me conhece

A Lua me beija o rosto
Sereno me faz carinho
O vento faz serenata
Aonde eu durmo sozinho

As estrelas são meus guardas
Posso dormir sossegado
E quando elas vão embora
O Sol vem juntar meu gado

Muitas vez na despedida
Eu tenho que disfarçar
Quando uma lágrima rola
Caindo do meu olhar

A poeira vai levantando
No céu formando um letreiro
Se espalham em letras de pó
Lembrança de um boiadeiro

Boiada

Triste manada de ganado
En el camino lleno de polvo
Mi corazón también
Camina tan solo

Llevando consigo la nostalgia
Vieja esperanza guardada
Cargando la tristeza
A paso lento en el camino

Salí de casa de niño
Dejando llorando a mis padres
Crecí en el mundo solo
Y nunca más volví

Mi hermana debe estar casada
Mi madre que nunca me olvida
Mi padre seguramente está viejo
Mi hermano ya ni me reconoce

La Luna me besa el rostro
Serena me acaricia
El viento hace serenata
Donde duermo solo

Las estrellas son mis guardianes
Puedo dormir tranquilo
Y cuando se van
El Sol viene a juntar mi ganado

Muchas veces en la despedida
Tengo que disimular
Cuando una lágrima cae
De mis ojos

El polvo se levanta
En el cielo formando un letrero
Se esparcen en letras de polvo
Recuerdo de un vaquero

Escrita por: Zé Paioça