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Alas

Adriana Calcanhotto

Asas

Suas asas, amor
Quem deu fui eu
Para ver você conquistar o céu.

Observe tudo embaixo ser
Menor do que você,
Como tudo é.

E enquanto arde a coragem dos desejos seus,
Sem véus,
(proteus).

Abra seus poros, e papilas, e pupilas.
À luz da manhã.

E muito acima de Ipanema,
tão pequena, tão vã.
Viva o prazer, o som,
O estrondo de uma onda
Na arrebentação.

Enquanto eu piro à sua espera,
na esfera do chão.

Alas

Tus alas, amor
Las que te di fui yo
Para verte conquistar el cielo.

Observa todo abajo
Siendo más pequeño que tú,
Como todo es.

Y mientras arde el coraje de tus deseos,
Sin velos,
(proteus).

Abre tus poros, y papilas, y pupilas.
A la luz de la mañana.

Y muy por encima de Ipanema,
tan pequeña, tan vanidosa.
Vive el placer, el sonido,
El estruendo de una ola
En la rompiente.

Mientras enloquezco esperándote,
en la esfera del suelo.

Escrita por: Adriana Calcanhotto / Antônio Cícero