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Caballo Negro

Adriano Duart

Cavalo Preto

Tenho um cavalo preto
Por nome de ventania
Um laço de doze braças
No couro de uma novilha
Tenho um cachorro bragado
Que é pra minha companhia
Sou um caboclo folgado
Ai eu não tenho família

No lombo do meu cavalo
Eu viajo o dia inteiro
Vou dum estado pro outro
Eu não tenho paradeiro
Quem quiser ser meu patrão
Me ofereça mais dinheiro
Eu sou muito conhecido
Por esse Brasil inteiro

Tenho uma capa gaúcha
Que eu troquei com um boi carreiro
Tenho dois pelegos grandes
Que é pura lã de carneiro
Um me serve de colchão
E outro de travesseiro
Com minha capa gaúcha
Eu me cubro o corpo inteiro

Adeus que eu já vou partindo
Vou pousar noutra cidade
Depois de amanhã bem cedo
Quero estar em Piedade
Deus me deu esse destino
E muita felicidade
Quando eu passo com o meu pingo
Deixo um rastro de saudade

Caballo Negro

Tengo un caballo negro
Con nombre de ventarrón
Un lazo de doce brazas
En el cuero de una ternera
Tengo un perro jaspeado
Que es para mi compañía
Soy un campesino holgazán
Y no tengo familia

En el lomo de mi caballo
Viajo todo el día
De un estado a otro
No tengo paradero
Quien quiera ser mi patrón
Que me ofrezca más dinero
Soy muy conocido
En todo Brasil entero

Tengo una capa gaucha
Que cambié con un boyero
Tengo dos peludos grandes
Que son pura lana de carnero
Uno me sirve de colchón
Y otro de almohada
Con mi capa gaucha
Me cubro todo el cuerpo

Adiós que ya me voy
A descansar en otra ciudad
Pasado mañana muy temprano
Quiero estar en Piedade
Dios me dio este destino
Y mucha felicidad
Cuando paso con mi caballo
Dejo un rastro de nostalgia

Escrita por: Anacleto Rosas Jr