Silêncio! Morreu um poeta no morro
Num velho barraco sem forro
Tem cheiro de choro no ar
Mas choro que tem bandolim e viola
Pois ele falou lá na escola
Que o samba não pode parar
Por isso, meu povo, no seu desalento
Começa a cantar samba lento
Que é jeito da gente rezar
E dizer que a dor doeu
Que o poeta adormeceu
Como um pássaro cantor
Quando vem no entardecer
Acho que nem é morrer
Silêncio! Mais um cavaquinho vadio
Ficou sem acordes, vazio
Deixado num canto de um bar
Mas dizem: Poeta que morre é semente
De samba que vem de repente
E nasce se a gente cantar
E dizer que a dor doeu
Que o poeta adormeceu
Como um pássaro cantor
Quando vem no entardecer
Acho que nem é morrer
Acho que nem é morrer
Acho que nem é morrer
Acho que nem é morrer
Acho que nem é morrer