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Alquilado

Alcyr Guimarães

Alugado

Trago a roupa tão larga e tão fora de moda
A viola afinada, mas tão longe da roda
A viagem marcada, o errado é a hora
E se a vida se acaba, sem amor

Tenho lábios mas onde eu compro um sorriso
Tanta fé nesse Deus, mas de pão eu preciso
Toda noite o meu sangue é doado às pragas
E se a vida se acaba, por tanta dor

Como gado em mercado, eu tenho meu preço
Pelo menos a vida, bem sei que mereço
E se ela termina sem ter um começo
Pois que é que me salva ou me vira do avesso

Eu também, como Cristo, já fui açoitado
Ou então, como Judas, estou perdoado
Já perdi companhia e ganhei inimigo
É que eu brinco com a vida, e ela briga comigo

Penitente ou demente, o que fiz foi tão pouco
Sou pedinte, indigente, o mais louco dos loucos
E se a roupa é surrada, é que a vida anda pobre
E por tantos pecados, não há quem me cobre

Alquilado

Traigo la ropa tan holgada y tan fuera de moda
La guitarra afinada, pero tan lejos del grupo
El viaje programado, el error es la hora
Y si la vida se acaba, sin amor

Tengo labios pero ¿dónde compro una sonrisa?
Tanta fe en ese Dios, pero necesito pan
Cada noche mi sangre es donada a las plagas
Y si la vida se acaba, por tanto dolor

Como ganado en el mercado, tengo mi precio
Al menos la vida, sé que la merezco
Y si termina sin tener un comienzo
¿Quién me salva o me da la vuelta?

Yo también, como Cristo, fui azotado
O como Judas, estoy perdonado
He perdido compañía y ganado enemigos
Es que juego con la vida, y ella pelea conmigo

Penitente o demente, lo que hice fue tan poco
Soy mendigo, indigente, el más loco de los locos
Y si la ropa está desgastada, es porque la vida anda pobre
Y por tantos pecados, no hay quien me cubra

Escrita por: Alcyr Guimarães