395px

Paraíso Terreno

Alex Frechette

Eu não perdoo nada
Quem quer perdão judaico-cristão
Nunca oferece nem uma reparação
A bondade narcísica é rala
Dobrada sobre si mesma em idolatria
Pulsa o pulsar tecnocrata de sofomania

É ruim, é roide
Que eu vou lhe desculpar
Não traga pros meus ouvidos
Seu arrependimentos só pra desopilar

Porque enquanto você sorvia nêsperas
E voava nas alturas do paraíso terreno
Seus tímpanos se fechavam pra não te machucar
E por aqui se ganiam mil ladraduras

Você, a serviço das automações
Quer carta branca em brancas nuvens
Só quer mais das cintilâncias bonitas

No dia em que Bolsonaro foi preso
Eu estava doente
Mas logo fiquei saudável

Escrita por: Alex Frechette