395px

Ponteio

Alfredo Del Penho

Ponteio

Faz semanas meses anos
Que a gente caiu na Estrada
Fazendo a roda do mundo
Se partir na encruzilhada

Nós somos sete pedaços
Cavaleiros sem espada
Monges, jagunços, palhaços
Na mesma corda esticada

Trouxemos gente do campo
Trinta léguas ao redor
Gente que veio de jipe
De rural, de carro Ford
Pra ver dos circos do mundo
O candidato a melhor

Passamos uma semana
No Grotão do Tirimbó
Um lugar tão zé-ninguém
Que lá fevereiro tem
Vinte e sete dias só

Porém o nosso destino
Nesse sertão nordestino
O melhor mundo que há
É chegar naquela vila
Tão moderna e tão tranquila
Chamada Taperoá

Ponteio

Hace semanas, meses, años
Que caímos en la carretera
Dando la vuelta al mundo
Y dividiéndonos en la encrucijada

Somos siete pedazos
Caballeros sin espada
Monjes, pistoleros, payasos
En la misma cuerda tensa

Trajimos gente del campo
Treinta leguas a la redonda
Gente que vino en jeep
De lo rural, en un Ford
Para ver de los circos del mundo
Al candidato a mejor

Pasamos una semana
En el Grotão do Tirimbó
Un lugar tan insignificante
Que febrero allí tiene
Veintisiete días solamente

Pero nuestro destino
En este sertón nordestino
El mejor mundo que hay
Es llegar a ese pueblo
Tan moderno y tranquilo
Llamado Taperoá

Escrita por: Alfredo Del-Penho / Beto Lemos / Braulio Tavares / Chico César