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Morrinha

Amália Rodrigues

Morrinha

Ai, sonhos, pranto, rios, poço, corpo
Do lírio e hortelã agreste!
São sonho que morre, são água que corre
Que na minha sede bebeste

Na minha cama o lençol de linho
Que hoje é como eu, sozinho
A sua brancura, a minha ternura
São minha loucura, meu espinho

Na minha solidão, que é toda minha
Na minha solidão, sozinha
Tristeza em botão que eu guardo na mão
Crescendo, crescendo, morrinha

Morrinha

Ah, rêves, pleurs, rivières, puits, corps
Du lys et de la menthe sauvage !
C'est un rêve qui meurt, c'est l'eau qui coule
Que tu as bue dans ma soif.

Dans mon lit, le drap de lin
Qui aujourd'hui est comme moi, seul.
Sa blancheur, ma tendresse
Sont ma folie, mon épine.

Dans ma solitude, qui est toute à moi
Dans ma solitude, seule.
Tristesse en bouton que je garde en main
Grandissant, grandissant, morrinha.