Hoje faz um ano
Que a gaveta verde eu tranquei
Cheia dos cadernos, versos ternos e um papel
Fiz nosso jantar, te amo mais
E esse móvel sujo, todo lindo, demodê
Surge em pensamento sempre ao anoitecer
Vem pra me esvaziar, pra eu nunca esquecer
O frio que o seu calor veio trazer
Hoje, só a chave
Levo pendurada num colar
Toda enferrujada sem segredo pra gritar
Mas que ainda reverbera o seu som
E aquele móvel sujo, todo lindo, demodê
Surge em pensamento sempre ao amanhecer
Vem pra me esvaziar, pra eu nunca esquecer
Que o meu sorriso sempre quebra com você
E aquele papel, meu pedaço de papel
Emoldurado em mil pedaços no meu coração