395px

Alfama

Ana Sofia Varela

Alfama

Quando Lisboa anoitece como um veleiro sem velas
Alfama toda parece, uma casa sem janelas
Aonde o povo arrefece

É numa água furtada, num espaço roubado à mágoa
Que Alfama fica fechada em quatro paredes d'água

Quatro paredes de pranto, quatro muros de ansiedade
Que à noite fazem o canto que se acende na cidade
Fechada em seu desencanto
Alfama cheira a saudade

Alfama não cheira a fado, cheira a povo, a solidão
Cheira a silêncio magoado, sabe a tristeza com pão
Alfama não cheira a fado
Mas não tem outra canção

Alfama

Cuando Lisboa se oscurece como un velero sin velas
Todo Alfama parece, una casa sin ventanas
Donde la gente se enfría

Es en un desván, un espacio robado al dolor
Que Alfama queda encerrada en cuatro paredes de agua

Cuatro paredes de llanto, cuatro muros de ansiedad
Que por la noche cantan y se encienden en la ciudad
Encerrada en su desencanto
Alfama huele a nostalgia

Alfama no huele a fado, huele a gente, a soledad
Huele a silencio herido, sabe a tristeza con pan
Alfama no huele a fado
Pero no tiene otra canción

Escrita por: Alain Oulman / Ary Dos Santos