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Potreador

André Teixeira

Me arrume um campo de grota
Que eu gaste goela e cachorro
Quem sabe peça socorro
Numa rodada em ladeira
Que eu ande abrindo porteira
Ressabiado igual aos outro
E de tarde encilhe um potro
Da égua mais caborteira

Que encerre no mangueirão
O touro mais peçonhento
Que me atropele o nojento
Pra ver se tenho destreza
Nunca me falte na mesa
Um costilhar de capincho
Facão afiado, bochincho
E um baile bom com certeza

Que os meus arreio carreguem
Chave de arame, cambona
Sovéu pra égua gaviona
Boleadeira e maneador
Que as garras de potreador
Andem dizendo pro mundo
Que eu nasci no campo fundo
Por isso sou cantador

Que o meu cavalo conheça
Todas toca de furão
E quando eu tiver na mão
O sovéu meu companheiro
Abram pra fora os campeiro
Me deixem ser de a cavalo
Tudo que canto, que falo
Pealando zebu matreiro

Que uma gaita do rincão
Floreie em raios de sol
E às vezes num LA bemol
Lembre alguma do Cardoso
Que um inimigo baldoso
Me atropele na saída
E a china mais atrevida
Durma cheirando meu toso

Escrita por: Lisandro Amaral, André Teixeira