Abro o jornal, a tela consome
O mundo tem pressa, mas morre de fome
Não é de pão, não é de dinheiro
É um vazio seco, um cansaço inteiro
A gente se esbarra e ninguém se vê
No asfalto quente, o que é que te move, o que faz sofrer?
O balde tá furado, a fonte secou
Onde foi que a humanidade desaguou?
Eu tenho sede, não é de água
Eu tenho sede, de tirar a mágoa
Quero um gole de afeto, um banho de respeito
Um pouco de calma batendo no peito
Sede de gente, sede de luz
Dessa indiferença que ninguém conduz
Gentileza virou artigo de luxo
Solidariedade virou contra fluxo
Ninguém mais escuta, só quer o microfone
A compreensão tá sem sinal no telefone
O abraço é gelado, o olhar é distante
A sede aumenta a cada instante
Eu tenho sede (não é de água)
Eu tenho sede (de tirar a mágoa)
Quero um gole de afeto, um banho de respeito
Um pouco de calma batendo no peito
Sede de gente, sede de luz
Dessa indiferença que ninguém conduz
Beber do ódio é veneno lento
O que eu preciso é de acolhimento
Me dá a mão, sai do deserto
O mundo é grande, mas o coração tá perto
Sede de quê? Sede de nós
Sede de quê? Solta a voz
Eu tenho sede
Muita sede