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Regresaste

Aracy de Almeida

Voltaste

Voltaste novamente pro subúrbio
Vai haver muito distúrbio
Vai fechar o botequim

Voltaste
E o despeito te acompanha
E te guia na campanha
Que tu fazes contra mim

O guarda que apitava ressonando
Anda alerta envergando
O seu capote de lã

Voltaste
Para fabricar defunto
Para fornecer assunto
Aos diários da manhã

Voltaste
Novamente sem dinheiro
Tapeando o açougueiro
Que não tem golpe de vista

Voltaste
Com um cão valente
Que só tiras da corrente
Quando chega o prestamista

Voltaste
Para mostrar ao nosso povo
Que não há nada de novo
Lá no centro da cidade

Voltaste
Demonstrando claramente
Que o subúrbio é ambiente
Que completa a liberdade

Voltaste
Mas falhou o teu projeto
Não te dou o meu afeto
Quando eu quero
Eu sou ruim

Voltaste
Confessando sem vaidade
Que a sua liberdade
É viver bem preso a mim

Regresaste

Regresaste nuevamente al suburbio
Habrá mucho alboroto
Van a cerrar el bar

Regresaste
Y la envidia te acompaña
Y te guía en la campaña
Que haces en mi contra

El guardia que silbaba resonando
Anda alerta luciendo
Su capote de lana

Regresaste
Para fabricar difuntos
Para proveer tema
A los diarios de la mañana

Regresaste
Otra vez sin dinero
Engañando al carnicero
Que no tiene vista

Regresaste
Con un perro valiente
Que solo sueltas de la correa
Cuando llega el prestamista

Regresaste
Para mostrar a nuestro pueblo
Que no hay nada nuevo
En el centro de la ciudad

Regresaste
Demostrando claramente
Que el suburbio es un ambiente
Que completa la libertad

Regresaste
Pero falló tu proyecto
No te doy mi afecto
Cuando quiero
Soy mala

Regresaste
Confesando sin vanidad
Que tu libertad
Es vivir bien preso a mí

Escrita por: Noel Rosa / Oswaldo Gogliano