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Solo para contradecir

Arlindo Cruz

Só pra contrariar

Só pra contrariar
Eu não fui mais na favela
Só pra contrariar
Não desfilei na Portela
Só pra contrariar
Pus a cara na janela
Só pra contrariar
Eu não fiz amor com ela

Contrariei
Sabendo que ainda era a mais bela
Que tinha malandro ligado na dela
Que nunca deu bola, que nunca deu trela

Contrariei
Revelando segredo que não se revela
Só pra contrariar
Ela ainda é donzela

Só pra contrariar
Eu não fui mais na favela
Só pra contrariar
Não desfilei na Portela
Só pra contrariar
Pus a cara na janela
Só pra contrariar
Eu não fiz amor com ela

Contrariei
E acho que dei um bico na canela
Desprezando o que todo o mundo zela
Como tufo, jóia, escultura ou tela

Contrariei
Mas essa castidade abri a fivela
Só pra contrariar
Ela ainda é donzela

Solo para contradecir

Solo para contradecir
No fui más a la favela
Solo para contradecir
No desfilé en Portela
Solo para contradecir
Puse la cara en la ventana
Solo para contradecir
No hice el amor con ella

Contradecí
Sabiendo que aún era la más bella
Que tenía malandros detrás de ella
Que nunca se interesó, que nunca dio bola

Contradecí
Revelando secretos que no se revelan
Solo para contradecir
Ella aún es virgen

Solo para contradecir
No fui más a la favela
Solo para contradecir
No desfilé en Portela
Solo para contradecir
Puse la cara en la ventana
Solo para contradecir
No hice el amor con ella

Contradecí
Y creo que le di un golpe en la espinilla
Despreciando lo que todo el mundo valora
Como un mechón, joya, escultura o lienzo

Contradecí
Pero esta castidad abrió la hebilla
Solo para contradecir
Ella aún es virgen

Escrita por: Almir Guineto / Arlindo Cruz / Sombrinha