395px

Bomba H sobre São Paulo

Arnaldo Baptista

Bomba H sobre São Paulo

Foi depois que a luz passou
E o calor nos assolou
Depois do grito, o escuro, assombrado
Primevo até

Foi quando então, numa onda, a morte
Desintegrante e por vezes feliz
Passou por mim, eu segurei sua mão
Colei seu seio de encontro a mim
Num gesto de proteção

Olhei pro céu que brilhante me gritava, que me escondesse
Feri a vista na beleza do fim que nos aproximava
Quando o calor do beijo seu, que procurando o meu
Parecia pedir perdão pelo egoísmo

E eu que até aí me achava muito ruim
Chorei, chorei de amor pela humanidade

É... o imenso gozo dos titãs
De aço e cabos de meadas infindáveis
De crianças tristes
Risos que soam depois do fim
E eu não sei que fim levou o meu
Risos...

Bomba H sobre São Paulo

Fue después de que la luz pasó
Y el calor nos asoló
Después del grito, la oscuridad, aterradora
Primitiva hasta

Fue entonces, en una ola, la muerte
Desintegrante y a veces feliz
Pasó por mí, tomé su mano
Pegué su pecho contra el mío
En un gesto de protección

Miré al cielo que brillante me gritaba, que me escondiera
Herí la vista en la belleza del final que se acercaba
Cuando el calor de tu beso, buscando el mío
Parecía pedir perdón por el egoísmo

Y yo que hasta entonces me creía muy malo
Lloré, lloré de amor por la humanidad

Sí... el inmenso gozo de los titanes
De acero y cables de madejas interminables
De niños tristes
Risas que suenan después del final
Y no sé qué final tuvo el mío
Risas...

Escrita por: