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Onda

Arthur Nogueira

Onda

Conheci-o no arpoador
Garoto versátil, gostoso
Ladrão, desencaminhador
De sonhos, ninfas e rapsodos
Contou-me feitos e mentiras
Indissolúveis por demais
Fui todo ouvidos, tatos, vistas
E pedras, sóis, desejos, mares
E nos chamamos de bacanas
E prometemo-nos a vida
Comprei-lhe um picolé de manga
E deu-me ele um beijo de língua
E mergulhei ali à flor
Da onda, bêbado de amor

Onda

Conocí al chico en el arpoador
Chico versátil, rico
Ladrón, desviador
De sueños, ninfas y rapsodas
Me contó hechos y mentiras
Demasiado indisolubles
Fui todo oídos, tacto, vista
Y piedras, soles, deseos, mares
Y nos llamamos bacanes
Y nos prometimos la vida
Le compré un helado de mango
Y él me dio un beso de lengua
Y me sumergí allí en la cresta
De la ola, ebrio de amor

Escrita por: Antônio Cícero / Arthur Nogueira