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Uva de Caminhão

Assis Valente

Uva de Caminhão

Já me disseram que
Você andou pintando o sete
Andou chupando muita uva
E até de caminhão

Agora anda dizendo
Que está de apendicite
Vai entrar no canivete
Vai fazer operação

Oi, que tem a Florisbela
Nas cadeiras dela
Andou dizendo que
Ganhou a flauta de bambu
Abandonou a batucada
Lá na Praça Onze
E foi dançar o pirulito
Lá no Grajaú

Caiu o pano da cuíca
Em boas condições
Apareceu Branca de Neve
Com os sete anões

E na pensão da
Dona Estela foram farrear
Quebra, quebra gabiroba
Quero ver quebrar

Você no baile dos quarenta
Deu o que falar
Cantando o seu Caramuru
Bota o pajé pra brincar
Tira, não tira o pajé
Deixa o pajé farrear
Eu não te dou a chupeta
Não adianta chorar

Uva de Caminhão

Ya me dijeron que
Anduviste haciendo travesuras
Anduviste comiendo muchas uvas
Incluso en camión

Ahora andas diciendo
Que tienes apendicitis
Vas a entrar al quirófano
Vas a ser operado

Oye, qué pasa con Florisbela
En sus sillas
Anduvo diciendo que
Ganó la flauta de bambú
Abandonó la batucada
En la Plaza Once
Y fue a bailar el pirulito
En Grajaú

Cayó el telón del pandero
En buenas condiciones
Apareció Blanca Nieves
Con los siete enanitos

Y en la pensión de
Doña Estela fueron de farra
¡Rompe, rompe guabiroba!
Quiero ver romper

En el baile de los cuarenta
Diste de qué hablar
Cantando tu Caramuru
Pon al chamán a jugar
Quita, no quita al chamán
Deja al chamán de farra
No te doy el chupete
No sirve de nada llorar

Escrita por: Assis Valente