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A Gira da Madrugada

Astrikos Katoikos

No barranco da pedreira
Quando o couro ribombou
Até o vento da estrada
Na cancela se calou

Tinha charuto no terreiro
Tinha marafo no balcão
Sete copos alinhados
Pra chegada do guardião

Abre gira na madrugada
Deixa o povo trabalhá
Seu Sete Encruzas pisa na cinza
Faz demanda ajoelhá
Abre gira na madrugada
No clarão do candeeiro
Quem zombava da tronqueira
Hoje treme no terreiro

Veio um homem da cidade
Com conversa de sabido
Seu Marabô deu risada
E o sujeito deu gemido

Relógio parou sozinho
Quando a gira confirmou
Toda vela da assistência
De uma vez se levantou

Abre gira na madrugada
Deixa o povo trabalhá
Seu Sete Encruzas pisa na cinza
Faz demanda ajoelhá
Abre gira na madrugada
No clarão do candeeiro
Quem zombava da tronqueira
Hoje treme no terreiro

Tem punhal riscando ponto
Perto da madeira do congá
Tem fumaça no cruzeiro
Tem padê pra despachá

Quando o último atabaque
Fez o pátio estremecê
Só ficou no fim da noite
Quem nasceu pra merecê

Ê almas de Aruanda
Ê povo da rua, saravá
Viva as entidades de esquerda
É mojubá é mojubá é mojubá

Escrita por: Marcelo Ribeiro Dantas