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A Medida Das Proporções

Astrikos Katoikos

Ninguém percebe o próprio desvio
Quando o pensar se declara juiz
Um quarto parece maior que o mundo
E o mundo parece não ter raiz

A dor fabrica um falso passado
Expulsa da sala qualquer exceção
Escolhe e superlativa algum detalhe
E chama o restante de ilusão

Quem perde a medida das proporções
Também perde a forma de comparar
Há lentes que alteram toda a paisagem
Fazendo um arquipélago inteiro se deslocar

Jamais dê ao instante poder de decisão
Nem faça do agora a palavra mais ativa
O pilar mais resistente da inteligência
Pode se vergar sob falsa perspectiva

Nenhum retrato contém uma vida
Não há cansaço que resuma um ser
Há dias que mentem com tanta perícia
Que parecem saber o que vai acontecer

A própria memória altera os acontecimentos
Acrescenta pedregulhos, retira a linda flor
Depois apresenta o quadro incompleto
Como se fosse o único valor

Se a mente reclama um ponto final
Responda com outra disposição
Não nego a força desta circunstância
Só adio com veemência qualquer conclusão

Não dê ao instante poder de decreto
Nem faça do agora a palavra final
Quem escreve a própria sentença depressa
Entrega ao efêmero um peso fatal

Espera! Não como quem foge da vida
Nem por promessa ou consolação
Apenas porque um juízo sem calma
Raramente conhece a melhor movimentação

Escrita por: Marcelo Ribeiro Dantas