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Absolutamente Eu

Astrikos Katoikos

Olho para as minhas mãos e vejo linhas que só eu posso mover
Cruzo com mil rostos na calçada, cada um com um mundo a proteger
Oito bilhões de batimentos cardíacos retumbando no mesmo chão
Mas eu só escuto o compasso que bate no meu próprio peito, em solidão

Por que eu nasci do lado de dentro desta pele e não de outra qualquer?
Por que sou eu quem sente o frio dessa chuva que o céu quer?

O que é ser si mesmo quando o mundo é um mar de gente?
Uma gota que pensa, um espelho que sente
Eu poderia ser o outro, ver o Sol por outro olhar
Mas fui condenado, e salvo, a ser eu mesmo neste lugar
Apenas eu, Ninguém mais pode habitar o meu pensar

Janelas acesas nos prédios da noite, cada uma é uma vida real
Histórias inteiras, amores, desgraças, em um plano bidimensional
Para eles, eu sou só um vulto que passa na pressa da rua escura
Mas por dentro eu sou o centro do cosmo, uma chama que queima pura

Ser eu é esse susto constante de
Não ser o sujeito ao lado
É o peso e o milagre de um nome que me foi dado

Se eu fechasse os olhos agora, o universo continuaria a girar
Bilhões de consciências iriam acordar, sorrir e chorar
A máquina do mundo não para se uma peça decide sumir
Mas para mim, o infinito acaba se eu deixar de existir

É a solidão mais radical: Ser a única testemunha do que sou, Eu, total!

O que é ser si mesmo quando o mundo é um mar de gente?
Uma gota que pensa, um espelho que sente
Eu poderia ser o outro, ver o Sol por outro olhar
Mas fui condenado, e salvo, a ser eu mesmo neste lugar
Apenas eu, Ninguém mais pode habitar o meu pensar

Oito bilhões de mistérios ambulantes
E eu aqui, trancado em mim, olhando as estrelas distantes
Ser eu, é tudo o que eu tenho
E é tudo o que eu sou, E mantenho

Escrita por: Marcelo Ribeiro Dantas