Andei por vias sem registro
Levei meu fardo sem abrigo
Quando a chama se extinguiu
Vi quem ficou, quem andou comigo
Vi alianças perecerem
Cada cicatriz virou razão
Vi muito metal se torcer
Por isso sigo em solidão
Sem amargura
Sem venda na visão
Aprendi a verdade
Ferida após decepção
Ando só
Pela neve e pelo ardor
Minha força se definiu
Onde o destino se partiu
Sem testemunha nem favor
Não preciso de cortejo
Para reconhecer meu movimento
Se o mundo inteiro escolhe um lado
Eu mantenho minha senda como o vento
Sobrevivi às noites
Que ninguém imaginou
Por isso ando só
Sem mestre ou orientador
A dor sentou-se à minha mesa
A perda entrou com mão acesa
Enterrei meu antigo rosto
E renasci de outro desgosto
Há quem procure esconderijo
Eu fiz da queda meu vestígio
Cada combate suportei
Sem outro amparo além da minha lei
Nada acuso
Do que passou
Foi duro professor
Mas me formou
Ando só
Pela neve e pelo ardor
Minha força se definiu
Onde o destino se partiu
Sem testemunha nem favor
Não preciso de cortejo
Para reconhecer meu movimento
Se o mundo inteiro escolhe um lado
Eu mantenho minha senda como o vento
Sobrevivi às noites
Que ninguém imaginou
Por isso ando só
Sem mestre ou orientador
Não confundam minha rota
Com derrota ou submissão
O lobo livre não suplica
Multidão nem permissão
Perdi muito, sei o preço
De confiar sem garantia
Hoje levo o próprio peso
Com severa autonomia
Ando só
E não cedo ao temporal
Cada marca deu ciência
Cada perda, outro sinal
O que veio para me impedir
Só lavrou mais meu vigor
Se a liberdade cobra caro
Pago inteiro seu valor
Com o olhar em brasa viva
Sem trair minha caminhada
Até que a última hora
Feche toda a minha jornada
Sim, ando só
Pois só eu sei
Por onde ir
Por onde andei
Apenas um rastro pela estrada
Uma única sombra em cada passada
Uns nasceram para a turba
Outros nascem para a própria caminhada