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Arcanos

Astrikos Katoikos

Zeus atinge a altura do Olimpo fechado
Cronos se eleva do limo selado
Grita a abóbada sobre o profundo
E o vácuo absorve o flanco do mundo

Palavras de enxofre recitam bestiário
No sangue dos astros fermenta o sudário
Toda fagulha se faz incandescente
Toda matéria desaba, doente

Têmis vacila diante da mudez
Réia contempla a ruína, talvez
Cai sobre os montes uma refulgência espectral
Cai sobre os mares um selo infernal

Algo me olha do fundo do próprio precipício
E me gesta num código que nunca aprendi
Sou carne pensante sob tempo e suplício
E permaneço nos arcanos que nunca resolvi

A presença dos deuses exala pavor
Nas vísceras titânicas cresce o fulgor
Rompe-se o firmamento em terrível escuridão
Bebe-se a noite na mesma determinação

O tempo recebe um ferrolho votivo
O mundo apodrece num ventre cativo
Gira a voragem de escama e peçonha
Gira a coroa da antiga vergonha

Nenhuma clemência governa a fissura
Nenhuma alvorada redime a criatura
Só resta o estampido de um rito sombrio
Só resta o remorso do cosmos vazio

Algo me olha do fundo do próprio precipício
E me gesta num código que nunca aprendi
Sou carne pensante sob tempo e suplício
E permaneço nos arcanos que nunca resolvi

No fim, cada nome termina calado
No fim, cada trono apodrece exilado
Paira no alto uma luz repentina
Paira no fundo a sentença divina

Algo me olha do fundo do próprio precipício
E me gesta num código que nunca aprendi
Sou carne pensante sob tempo e suplício
E permaneço nos arcanos que nunca resolvi

Algo me olha do fundo do próprio precipício
E me gesta num código que nunca aprendi
Sou carne pensante sob tempo e suplício
E permaneço nos arcanos que nunca resolvi

Escrita por: Marcelo Ribeiro Dantas