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Bênção, Senhor Nélson

Astrikos Katoikos

No quartinho o tempo respira lento
Rosário gasto no pensamento
Desde menino, manhãs e madrugadas
Aprendeu bênçãos entre enxadas

As mãos cansadas, de vêia funda
Sabem curar a dor que inunda
Diz o nome de Jesus com calma
E todo o mal cede dentro da alma

Não tem batina, nem relicário
Apenas fé e um velho rosário
A reza desfaz o espiritual pesado
Como um grande segredo iluminado

Benza, seu Nélson, benza devagar
O mal se cala para o senhor falar
O terço brilha e todo anjo obedece
Nosso coração, por reconhecimento, agradece

Pessoas vêm de longe e imploram
Crianças dormem, só os males choram
E senhor Nélson diz, com muita paciência
Deus é o mesmo na providência

Na sua casa o ambiente é abraço
E há mil santos em cada espaço
Tem o cheiro bendito de café maternal
Feito pela esposa Catarina, como ritual

Quando algum desespero toma o céu
Ele logo benze, é assim desde o quartel
Sabe que tudo no mundo vem e some
Menos a fé, que nunca se consome

Benza, seu Nélson, benza devagar
O mal se cala para o senhor falar
O terço brilha e todo anjo obedece
Nosso coração, por reconhecimento, agradece

Quem duvida, volta depois
Pedindo reza, trazendo outros dois
O corpo enfermo, o medo oculto
O dom que cura é sempre indulto

No rosto enrugado mora a humildade
De quem já viu mais dor do que a longevidade
Mas ainda ri muito, e gargalha leve
Com a esperança que o mundo deve

E quando a morte chegar um dia
Vai lhe pedir uma bênção e reza fria
E ele dirá sorrindo, com voz de alento
Deus me chamou, e eu vou 'contento'!

Benza, seu Nélson, benza devagar
O mal se cala para o senhor falar
O terço brilha e todo anjo obedece
Nosso coração, por reconhecimento, agradece

Benza, seu Nélson, benza devagar
O mal se cala para o senhor falar
O terço brilha e todo anjo obedece
Nosso coração, por reconhecimento, agradece

Escrita por: Marcelo Ribeiro Dantas