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Exu Bará, Venha Me Defender!

Astrikos Katoikos

Espanta toda carga com sua gargalhada
Conhece a madrugada, a esquina, a calçada
Onde a noite fecha a passagem cerrada
Laroyê Exu Bará, sentinela da estrada

Exu destranca o caminho
Vigia a encruzilhada
Faz a sorte circular

Lebará guarda quem segue
Com firmeza na jornada
Sem temer o que virá

Ah, Exu, venha ligeiro me valer
Ah, Exu Bará, ninguém vai me deter
Ah, Exu, leve a demanda ao se perder
Laroyê, meu Exu Bará, venha me defender

Senhor do ganho e da troca
Das feiras e das porteiras
Sabe o preço do falar

Ri da soberba dos homens
Vira a sorte nas ladeiras
Faz o mundo circular

Gosta da comida quente
Da pimenta, da aguardente
Quando a gira vai firmar

Recebe aquilo que é dado
Com respeito declarado
Sem promessa pra comprar

Ah, Exu, venha ligeiro me valer
Ah, Exu Bará, ninguém vai me deter
Ah, Exu, leve a demanda ao se perder
Laroyê, meu Exu Bará, venha me defender

Exu desfaz aparência
Põe mentira em evidência
Faz segredo se mostrar

Conhece a astúcia humana
A cobiça que se trama
Sem deixar ninguém passar

Não se compra sua força
Nem bravata o impressiona
Nem riqueza faz mandar

Quem procura sua guarda
Leve firmeza na palavra
E respeito ao lhe saudar

Pelas ruas vai ligeiro
Mensageiro, companheiro
Onde a gira reclamar

Quando fecha uma passagem
Outra surge na viagem
Pois Bará conhece o lugar

Ah, Exu, venha ligeiro me valer
Ah, Exu Bará, ninguém vai me deter
Ah, Exu, leve a demanda ao se perder
Laroyê, meu Exu Bará, venha me defender

Sua risada vem de longe
Faz o medo recuar
Quem tramou demanda alheia
Vê a própria trama falhar

Na porteira ou na esquina
Onde a noite principia
Bará sabe vigiar

Ah, Exu, venha ligeiro me valer
Ah, Exu Bará, ninguém vai me deter
Ah, Exu, leve a demanda ao se perder
Laroyê, meu Exu Bará, venha me defender

Laroyê
Laroyê Exu
Laroyê Exu Bará

Escrita por: Astrikos Katoikos