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Krakatoa

Astrikos Katoikos

Sonda, agosto, o dia ficou lívido
Cinza densa desfigurava o nascente
Pedra-pomes golpeava os telhados
E o estreito recuava lentamente

Krakatoa partiu sua estrutura
A cratera expeliu lava e vapor
O flanco cedeu dentro das águas
Java conheceu o primeiro terror

O mar retirou-se das enseadas
Krakatoa!
Depois regressou em vagas desmedidas
Sumatra viu desaparecer aldeias
Java perdeu milhares no litoral
E agosto de oitenta e três tornou-se
Um horror na memória mundial

Corpos chegavam entre madeiras
Telhados, mastros, redes e animais
Famílias buscavam seus parentes
Onde já não existiam nem os cais

Muito além daquele arquipélago
Instrumentos acusaram a pressão
A atmosfera transportou pelo planeta
A assinatura física da explosão

O mar retirou-se das enseadas
Krakatoa!
Depois regressou em vagas desmedidas
Sumatra viu desaparecer aldeias
Java perdeu milhares no litoral
E agosto de oitenta e três tornou-se
Um horror na memória mundial

Passaram anos sob aquelas águas
O magma acumulou nova matéria
Anak Krakatau surgiu no estreito
A continuação mineral da tragédia

Nenhum desígnio, nenhuma vingança
Nenhuma moral escrita na erupção
Somente um planeta sempre incompleto
Refazendo a própria configuração

Escrita por: Astrikos Katoikos