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Maldito Umbral

Astrikos Katoikos

Na zona turva começa a vagar
Resíduos densos passam a aparecer
Pensamentos colam, impedem partir
E a consciência se rende ao estupor

Formas difusas parecem cercar
Lamentos gritados voltam a crescer
Vínculos velhos insistem em surgir
Num quadro marcado por dissabor

Lembranças vívidas passam a pesar
Culpa e remorso tornam a doer
Quadros repetem o mesmo insistir
Sem pausa possível ao próprio clamor

Maldito umbral!
Quando a dor decide se revelar
Nada consegue fazer esquecer
Tudo retorna sem se apagar
E a mente insiste em reviver

Força que puxa sem avisar
Laço difícil de desfazer
Algo que prende sem se mostrar
E estabelece o mais pesado sofrer

Sombras errantes procuram chamar
Nomes antigos voltam a ferver
Afetos truncados tentam surgir
E tudo se fecha num ciclo opressor

Não há descanso que venha amparar
O tempo parece não se mover
Ideias confusas tornam a fluir
E a mente se perde em langor

Por vezes um foco distante a brilhar
Sugere que algo pode romper
Um fio de lucidez tenta emergir
Mas cai novamente no peso interior

Maldito umbral!
Quando a dor decide se revelar
Nada consegue fazer esquecer
Tudo retorna sem se apagar
E a mente insiste em reviver

Força que puxa sem avisar
Laço difícil de desfazer
Algo que prende sem se mostrar
E estabelece o mais pesado sofrer

E quando enfim algo vem a clarear
Surge a vontade de compreender
Forças esquecidas voltam a insistir
E rompe-se a noite no próprio vigor

Maldito umbral!
Quando a dor decide se revelar
Nada consegue fazer esquecer
Tudo retorna sem se apagar
E a mente insiste em reviver

Força que puxa sem avisar
Laço difícil de desfazer
Algo que prende sem se mostrar
E estabelece o mais pesado sofrer

Escrita por: Marcelo Ribeiro Dantas