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O Diabrete do Carrascal

Astrikos Katoikos

Junto ao burgo de Valdruna
Num arvoredo capulento
Habitava um diabrete
Dado a logro e fingimento

Tinha orelhas de morcego
Olhos cor de verdelim
E um temperamento de ferrão
Que prenunciava o ruim

Toda tarde se ocultava
Sob um teixo ou sabugueiro
À espera de algum incauto
Lenhador ou caminheiro

Cuidado com o diabrete
Do fragoso matagal
Muita gente foi buscá-lo
E foi ceifada pelo Mal

Ora surgia qual donzela
Ora qual monge beneditino
Ora qual cervo dourado
Saltitando no vespertino

E o sujeito, curioso
Sem suspeita do ardil
Penetrava mata adentro
Por um carreiro sutil

Lá o Maligno assobiava
Uma ária singular
E a pessoa, fascinada
Já não pensava em voltar

Cuidado com o diabrete
Do fragoso matagal
Muita gente foi buscá-lo
E foi ceifada pelo Mal

Dizem velhos pergaminhos
Guardados no mosteiro
Que ele vive lá até hoje
Junto ao bosque traiçoeiro

Quando a névoa se adensa
Sobre o musgo matinal
Ainda ecoa sua gargalhada
Pelo vale atemporal

E quem segue aquela trilha
Por descuido ou devaneio
Pode acabar figurando
Nalgum obituário de jornaleiro

Cuidado com o diabrete
Que se esconde no carrascal
Quem escuta sua risada
Pode ter destino fatal
Cuidado com o diabrete
Do sombrio arvoredo
Pois o bosque guarda nomes
Que o tempo deixou em segredo

Escrita por: Marcelo Ribeiro Dantas