Você governa a noite como se fosse lei
Debocha da miséria como quem lucra como rei
Assina destinos com tinta de ferrugem vil
E chama de ordem o impulso de punir
Você constrói impérios com projeto pueril
Promete ao rebanho um futuro servil
Distribui medalhas ao medo mais dócil
E cobra obediência para persistir
Você veste o horror com discurso gentil
Maquia o massacre num tom juvenil
Oferece consolo em forma de dívida
E pede ao oprimido submissão a engolir
O poder corrompe!
Você chama de glória o que nasce do horror
E vende virtude tingida de dor
Você pinta o desespero com tinta cruel
E chama essa dominação de reino fiel
Você brinda à ruína com taça sutil
Recita verdades de modo viril
Constrói cada culpa com método exato
E exige aplauso pra se redimir
Você fala em justiça com verbo hostíl
Define inocentes num rito senil
Transforma a miséria em dado estatístico
E força o vencido e calado a seguir
Você guia multidões com um credo vil
Promete salvação num discurso civil
Mas guarda nos cofres o medo mais puro
E deixa o restante sangrar sem reagir
O poder corrompe!
Você chama de glória o que nasce do horror
E vende virtude tingida de dor
Você pinta o desespero com tinta cruel
E chama essa dominação de reino fiel
Você reina absoluto num trono infantil
Brinca de deidade com fantasia juvenil
E julga que tudo responde ao seu comando
Sem ver que seu domínio começa a ruir
Yé yé yé
Yé yé yé
O poder corrompe!
Você chama de glória o que nasce do horror
E vende virtude tingida de dor
Você pinta o desespero com tinta cruel
E chama essa dominação de reino fiel
O poder corrompe!
Você chama de glória o que nasce do horror
E vende virtude tingida de dor
Você pinta o desespero com tinta cruel
E chama essa dominação de reino fiel