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Oxóssi: Odé, Senhor Das Matas

Astrikos Katoikos

Folha molhada anuncia o caçador
Galho se move sem vento passar
Longe se escuta o chamado do aguerê
É mata fechada saudando Odé

Oxóssi conhece vereda escondida
Lê cada folha, conhece o lugar
Onde outro homem só encontra distância
Seu olho descobre por onde buscar

Okê Arô, meu pai Oxóssi
Okê Arô, caçador de Ketu
Ofá certeiro, iluquerê
Salve a ciência das matas, Odé
Okê Arô, meu pai Oxóssi
Okê Arô, caçador de Ketu
Uma só flecha resolve a demanda
Salve Oxóssi, salve Odé

Não caça por ira, não fere por gosto
Conhece a medida da necessidade
Procura alimento, reparte a colheita
E faz da fartura uma comunidade

No axoxó, memória antiga
Milho ofertado recorda o dever
Quem traz alimento sustenta seu povo
Quem sabe da mata aprende a prover

Okê Arô, meu pai Oxóssi
Okê Arô, caçador de Ketu
Ofá certeiro, iluquerê
Salve a ciência das matas, Odé
Okê Arô, meu pai Oxóssi
Okê Arô, caçador de Ketu
Uma só flecha resolve a demanda
Salve Oxóssi, salve Odé

Ibualama conhece outras águas
Inlé conserva mistério ancestral
Logunedé traz no corpo a herança
Do rio fecundo e do reino florestal

Jurema guarda saber de outros tempos
Folha conhece remédio e poder
Caboclo conhece caminho de mata
E aquilo que a mata não deixa esquecer

Na Bahia, Jorge cavalga na fé
No Rio, Sebastião recebe oração
Mas antes dos santos cruzarem o oceano
Odé já reinava na tradição

Não cabe num quadro, não cabe num santo
Nem perde na imagem sua identidade
Oxóssi vem de uma história mais profunda
Guardada por povo, memória e ancestralidade

Okê Arô, meu pai Oxóssi
Okê Arô, caçador de Ketu
Ofá certeiro, iluquerê
Salve a ciência das matas, Odé

Odé! Odé!
Okê Arô!
Odé! Odé!
Okê Arô!

Se a mata oferece, ninguém toma tudo
Se a caça é bastante, é preciso repartir
Oxóssi ensina que a verdadeira riqueza
É ter o necessário e deixar prosseguir

Okê Arô, Oxóssi!
Okê Arô, Odé!

Escrita por: Astrikos Katoikos, Aurora Ananda