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Pindorama

Astrikos Katoikos

No pilão, a mandioca vira farinha
Urucum colore a mão da indiazinha
O tipiti rechina, comprido e trançado
E o caldo escorre, espesso, dourado

Na beira da água, canoa ligeira
Remo de guajará corta a corredeira
Um peixe prateia por baixo da espuma
A flecha descreve seu arco e se apruma

Jenipapo escuro na pele morena
Sementes vermelhas dentro da cuia pequena
Taquara no fogo, cerâmica ao lado
Cauim servido num pote queimado

Guarani segue pela mata fechada
Mbyá caminhando na chuva pesada
Tupi deixava seu nome nos rios
Nas serras, nas praias, nos nomes bravios

Pindorama guarda sua história
Um Brasil antes da Europa ferir sua glória

Itaúna, Iguaçu, Itamaracá
Nomes que ainda se escutam por cá
Paraná corre, Paraguaçu passa
A língua antiga permanece na praça

Não quero relíquia, nem lenda, nem mito
Quero a palavra que ainda tem grito
Quero a língua viva, vogal por vogal
Sem virar fantasia de cartão-postal

Pindorama guarda sua história
Um Brasil antes da Europa ferir sua glória

Escrita por: Marcelo Ribeiro Dantas