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Portas do Infinito

Astrikos Katoikos

O mundo rodopia e se refaz
A matéria pensa e pede paz
O som da luz me atravessou
E o tempo em cores se prostrou

O firmamento canta em mim, profundo
Mostrando o centro desse mundo
O corpo é casa de um clarão
A mente é só contemplação

A atmosfera se move em tons de prece
E todo medo antigo desaparece
As coisas brilham sem motivo
Tudo é um abissal silêncio criativo

Abrem-se as portas do infinito
O olho é estrela, o céu é bonito
O Ser se expande em claridade
O nada é pura eternidade
Desfaz-se o tempo, nasce o som
A luz se condensa em novo tom
E o que era eu se faz visão
Respira em tudo como vibração

No solo há risos de energia
O Sol me queima em geometria
A sombra fala e se desfaz
No cheiro da luz encontro a paz

Sou rio vivente e sou fonte
Sou cor que se muda sobre o monte
Em cada forma há um sinal
De um Deus que vive no mineral

A carne é vidro, o oxigênio é som
O tempo é círculo sem tom
As veias saltam, tudo é igual
A dor descansa, o horror é astral

Abrem-se as portas do infinito
O olho é estrela, o céu é bonito
O Ser se expande em claridade
O nada é pura eternidade
Desfaz-se o tempo, nasce o som
A luz se condensa em novo tom
E o que era eu se faz visão
Respira em tudo como vibração

A selva pensa, o fogo escuta
A mente é clara, a dor refuta
E o pensamento se desfaz
No instante completo da paz

Os astros falam no meu peito
Sem voz, sem nome, sem conceito
E o todo sai de mim também
Sou o começo, o fim e o além

O universo some, e eu me alargo
No brilho azul de um ser amargo
Nada termina, tudo é esplendor
As portas da percepção se abrem no interior

Abrem-se as portas do infinito
O olho é estrela, o céu é bonito
O Ser se expande em claridade
O nada é pura eternidade
Desfaz-se o tempo, nasce o som
A luz se condensa em novo tom
E o que era eu se faz visão
Respira em tudo como vibração

Abrem-se as portas do infinito
O olho é estrela, o céu é bonito
O Ser se expande em claridade
O nada é pura eternidade
Desfaz-se o tempo, nasce o som
A luz se condensa em novo tom
E o que era eu se faz visão
Respira em tudo como vibração

Escrita por: Marcelo Ribeiro Dantas