Querida Pantera Cor-de-Rosa
Sombra macia de imaginação
Seu assovio aumenta minha nostalgia
Dentro daquela velha televisão
No sax da noite antepassada
Desfila lenta por nosso coração
Pantera Cor-de-Rosa surge
Feita personagem de invenção
Tem olho oblíquo de ironia
E um passadiço de cetim
Faz troça leve da gravidade
Quando passeia pelo jardim
Pelos salões de lustre pomposo
Vagava sua rósea aparição
Feito um crepúsculo desenhado
Na porcelana da solidão
Trazia um hábito de coisa antiga
Meio champanhe, meio brincar
E um desalinho de elegância
Capaz de empolgar qualquer olhar
Querida Pantera Cor-de-Rosa
Sombra macia de imaginação
Seu assovio aumenta minha nostalgia
Dentro daquela velha televisão
Nas quinas breves das escadarias
Ficava eu como um resto de irreal
Como sonhador largado ao vento
Num camarim atemporal
E havia sempre nas madrugadas
Quando a cidade perdia a cor
O mesmo saxofone chorando lento
Atrás do vulto desse candor
Toma luar nas avenidas
Com lucidez de ilusionista
E cada lâmpada da cidade
Parece gostar de tão imprevista
Há qualquer coisa de melancolia
Nesse seu jeito de aparição
Como um desenho imaginando acordado
Na solidão dum coração
Querida Pantera Cor-de-Rosa
Sombra macia de imaginação
Seu assovio aumenta minha nostalgia
Dentro daquela velha televisão
No sax da noite antepassada
Desfila lenta por nosso coração
Pantera Cor-de-Rosa surge
Feita personagem de solidão
Querida Pantera Cor-de-Rosa
Sombra macia de imaginação
Seu assovio aumenta minha nostalgia
Dentro daquela velha televisão