Veio da sujeira da estrada
Bem pequena, sem chamar atenção
Com as antenas levantadas
Inventou uma coroação
Disse ao lobo: Baixe a cabeça!
Disse ao tigre: Saia daqui!
E o mais estranho aconteceu
Todo mundo resolveu ouvir
Quem se rende ao próprio medo
Faz do fraco um imperador
Não é força, nem segredo
É o tamanho do pavor
Quem se rende à fantasia
Vê gigante o que é diminuto
Basta um passo de ousadia
E desaparece o absurdo
Os leões fecharam os olhos
Os elefantes sem reação
Até as águias esqueceram
A habilidade única de sua visão
Cada fera repetia
O boato que alguém criou
E a mentira, alimentada
Mais depressa se espalhou
Mas surgiu uma andorinha
Sem armadura ou distinção
Nem ideologias, nem bandeiras
Só firmeza no coração
Olhou bem para a valentona
Deu um salto sem vacilar
Num instante o falso reino
Começou a desabar
Quem se rende ao próprio medo
Faz do fraco um imperador
Não é força, nem segredo
É o tamanho do pavor
Quem se rende à fantasia
Vê gigante o que é diminuto
Basta um passo de ousadia
E desaparece o absurdo
Não existe tirania
Que resista à toda prova
Toda máscara se desfaz
Quando a lucidez se renova
Hoje a estrada segue livre
Cada bicho encontrou seu lugar
Quem vivia ajoelhado
Aprendeu novamente a andar