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Terra Em Transe

Astrikos Katoikos

A pátria acordou de ressaca
Com seu velho destino na contramão
Um candidato ensaia a bravata
Outro negocia a salvação

Na sacada, a frase solene
Na avenida, o povo esperando
Cada promessa convém a quem teme
Que a multidão possa estar pensando

Ziriguidum, balacobaco
Telecoteco, borogodó
O poder desfila de casaca
Faz do país seu dominó

Ziriguidum, balacobaco
Telecoteco, borogodó
Terra em transe, delírio barroco
Cada político quer mandar por si só

O poeta perdeu a medida
Entre a palavra, o punhal e o jornal
Quis encontrar uma pátria na vida
Achou um palanque eleitoral

Um coronel distribui esperança
Um bacharel distribui razão
O demagogo promete mudança
Com a velha escritura na mão

Ziriguidum, balacobaco
Telecoteco, borogodó
O poder desfila de casaca
Faz do país seu dominó

Ziriguidum, balacobaco
Telecoteco, borogodó
Terra em transe, delírio barroco
Cada político quer mandar por si só

Há uma câmera inquieta na praça
E uma marcha querendo passar
A razão perde o passo e se amordaça
E a verdade aprende a negociar

Quem era santo já vende indulgência
Quem era rebelde aprendeu discrição
Todo discurso proclama inocência
E cada inocente recebe um brasão

Eldorado delira acordado
Com o comício, o samba e o fuzil
O futuro nasceu hipotecado
Numa escritura chamada Brasil

Ziriguidum! Balacobaco!
Telecoteco, borogodó!
Gira a tribuna, desaba o teatro
Troca o retrato, mas fica pior

Ziriguidum! Balacobaco!
Telecoteco, borogodó!
Terra em transe, país inacabado
Cada poder fabrica outro algoz

Ziriguidum
Balacobaco
Telecoteco
Borogodó
E cada um de nós se sente só

Escrita por: Marcelo Ribeiro Dantas