Cruzam o céu sem testemunha
Ninguém consegue derrubar
Nunca descem nos palácios
Sempre procuram um pobre pra devorar
Sobrevoam as marquises frias
Velhos, crianças e miseráveis pelo chão
Cada sombra alada ganha dentes
Cada voo é uma execução
Olha pra cima
Ninguém mais se engana
Eles nunca escolhem
Quem tem muita grana
Tubarões voadores
Fome sem pudor
Caçam quem não tem
Nem cobertor
Tubarões voadores
Não caçam de veneta
Mordem seu salário
Engolem quem dorme na sarjeta
Devoram fila de hospital
Aposentado, camelô
Catador de madrugada
Quem dorme alojado no metrô
Devoraram o barraco
A marmita e o sofredor
Deixam bancos intactos
Protegidos pelo horror
Nunca mordem os ministros
Nunca os donos do cifrão
Sempre acham o sem-teto
Sempre mastigam o peão
Tubarões voadores
Fome sem pudor
Caçam quem não tem
Nem cobertor
Tubarões voadores
Bichos da inversão
Sempre poupam o ricaço
Sempre protegem o patrão
Quando alguém pergunta
De onde vieram essas coisas
As barbatanas cruzam nuvens
Disfarçadas de nobres pessoas
Quem fabrica esses monstros?
Quem lhes deu a criação?
Cada dente leva escrito
Lucro, medo e exclusão
Olha pra cima
Já vêm outra vez
Enquanto houver miséria
Eles terão freguês
Cuidado
Cuidado
Tubarões voadores
Oi, oi, oi, oi
Tubarões voadores
Oi, oi, oi, oi
Se o pobre desaparecer
Quem eles vão comer?
Se o pobre desaparecer
Quem eles vão comer?