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Umbanda Sagrada

Astrikos Katoikos

Salve o ponto, salve a gira, salve o chão
Onde o santo e o povo dão a mão
Salve o preto, o caboclo, o Orixá
Salve o tempo que ensina a amar

Nasce a Umbanda no ventre do chão
Voz de preto velho, mão de irmão
Da dor, do tempo e da senzala antiga
Surge a palavra que cura e abriga

Era noite e o mundo dormia
O atabaque calado, a fé vazia
Dois planos se olharam, aflitos, distantes
E um ponto brilhou entre os errantes

Do pó da miséria e da reza esquecida
Surgiu a seara de nova vida
Nem santo, nem dono, nem poder terreno
Mas um chamado pleno e sereno

Nasce a Umbanda no ventre do chão
Voz de preto velho, mão de irmão
Da dor, do tempo e da senzala antiga
Surge a palavra que cura e abriga

Caboclo de luz cruzou o terreiro
Trouxe nas mãos o verbo primeiro
O Cristo sorriu na fumaça branca
O céu desceu e a dor se estanca

Não há riqueza que compre a entrada
Nem culpa que feche a jornada
É lei de amor, de justiça e conselho
Onde o humilde se torna o primeiro

Nasce a Umbanda no ventre do chão
Voz de preto velho, mão de irmão
Da dor, do tempo e da senzala antiga
Surge a palavra que cura e abriga

Ogum saudou com sua espada
Xangô firmou a lei sagrada
Oxum lavou com ouro e canto
E Iemanjá encantou com seu pranto

Oxóssi trouxe o pão da mata
Iansã soprou a bela voz alada
E o homem cansado, de joelhos finos
Achou nos guias os próprios destinos

Caboclo das Sete Encruzilhadas
Abriu caminhos, curou as estradas
No verbo simples da caridade
Nasceu a Umbanda, brilhou a verdade

Nasce a Umbanda no ventre do chão
Voz de preto velho, mão de irmão
Da dor, do tempo e da senzala antiga
Surge a palavra que cura e abriga

Não foi do livro, nem do altar de ouro
Nem da coroa, nem do tesouro
Foi da miséria que nasce a jornada
Onde o amor se refaz na estrada

E quem escuta sente o chamado
Que vem do passado e do degradado
Umbanda é verbo, é corpo e é chão
É o próprio Olorum em manifestação

Nasce a Umbanda no ventre do chão
Voz de preto velho, mão de irmão
Da dor, do tempo e da senzala antiga
Surge a palavra que cura e abriga

Do pó, da cruz e da alma aflita
Ergue-se a fé que nunca se imita
Umbanda é o fio que o mundo costura
Lei que liberta, amor que perdura

Das estrelas nasceu a lembrança
Umbanda é a lei da esperança
Do louvor vem a semente do bom
Que une o que é fé e o que é dom

Nasce a Umbanda no ventre do chão
Voz de preto velho, mão de irmão
Da dor, do tempo e da senzala antiga
Surge a palavra que cura e abriga

Salve os Exus e pombagiras, guardiões do caminho
Que abrem veredas com toque e vinho
Salve os Boiadeiros, valentes no chão
Guiando o povo com coração
Salve os Baianos de riso sereno
Que fazem da dor um passo ameno
Salve os Marinheiros de fé e canto
Que firmam na água o sagrado manto
Salve as Crianças de olhar divino
Que mostram no riso o eterno destino
Salve os Pretos, doutores da paz
Que curam o mundo e perdoam demais

Nasce a Umbanda no ventre do chão
Voz de preto velho, mão de irmão
Da dor, do tempo e da senzala antiga
Surge a palavra que cura e abriga

Umbanda viva, estrela acesa
Filha do povo, mãe da pureza
Da terra ao céu, do céu à mão
Umbanda é vida, amor e perdão

Escrita por: Marcelo Ribeiro Dantas