Versos de Pedra
Sua alma traz os versos da desgraça
O seu corpo humilhado é da ferrugem
Que o tempo carcomeu ‘té a carcaça
Pura carniça pra patrões, podre linhagem, podre linhagem
Sua força é dos anjos a mais guerreira
Do arado, foi escravo, no sertão
É maquinado, na cidade, empreiteira
É bicho preso, feito doido, sem ração
Mesmo morto para o mundo, não se rende
Depois do trabalho, vem o bar, forró e mulher
Vomita seu ódio num repente, de repente
Amanhã, pedreiro, vem a realidade de vida e pó
Severino lutador
Severino luta mais
Nordestino mata e grita, esperneia e se agita
Mas seu mundo não tem paz, não tem paz
Severino lutador
Severino luta mais
Nordestino mata e grita, esperneia e se agita
Mas seu mundo não tem paz, não tem paz
Os seus ombros suportam a miséria
A indústria da seca é um dragão
Seu palco é um teatro de tragédia
Mas ele sonha catedrais de ilusão
Há uma espada de sangue e lama
Há um rio sem pele em seu terço
Um político de Hades lhe engana
E um feto abortado no berço
Um enterro de anjinhos
Um noivado no sítio é festança
O punhal na cintura mata bandido
Sua vida é um rosário de esperança!
Severino lutador
Severino luta mais
Nordestino mata e grita, esperneia e se agita
Mas seu mundo não tem paz
Arquiteto da lavoura do destino
Engenheiro da virtude e da coragem
A pedra é o cristal do seu caminho
Cantador ameniza sua viagem
Sua casa é seu castelo e cemitério
Já viu nascimento e defunto no caixão
Já viu juras de amor e adultério
Já viu frutas doces e a falta de pão
Ele não demonstra a dor tão engasgada
Não chora, nem reclama de nada
É duro como madeira empedrada
Ele é Hércules, Sansão e Lampião!
Severino lutador
Severino luta mais
Nordestino mata e grita, esperneia e se agita
Mas seu mundo não tem paz
Severino lutador
Severino luta mais
Nordestino mata e grita, esperneia e se agita
Mas seu mundo não tem paz
Severino lutador
Severino luta mais
Nordestino mata e grita, esperneia e se agita
Mas seu mundo não tem paz
Severino lutador
Severino luta mais
Nordestino mata e grita, esperneia e se agita
Mas seu mundo não tem paz
Versos de Piedra
Tu alma lleva los versos de la desgracia
Tu cuerpo humillado es de herrumbre
Que el tiempo carcomió hasta los huesos
Pura podredumbre para los patrones, linaje podrido, linaje podrido
Tu fuerza es la más guerrera de los ángeles
Del arado, fue esclavo, en el sertón
Es maquinado, en la ciudad, contratista
Es un animal preso, como loco, sin ración
Aunque muerto para el mundo, no se rinde
Después del trabajo, viene el bar, el forró y la mujer
Vomita su odio de repente, de repente
Mañana, albañil, llega la realidad de vida y polvo
Severino luchador
Severino lucha más
Nordestino mata y grita, se retuerce y se agita
Pero su mundo no tiene paz, no tiene paz
Tus hombros soportan la miseria
La industria de la sequía es un dragón
Tu escenario es un teatro de tragedia
Pero sueñas con catedrales de ilusión
Hay una espada de sangre y lodo
Hay un río sin piel en tu tercio
Un político de Hades te engaña
Y un feto abortado en la cuna
Un entierro de angelitos
Un compromiso en el rancho es fiesta
El puñal en la cintura mata al bandido
¡Tu vida es un rosario de esperanza!
Arquitecto del campo del destino
Ingeniero de la virtud y el coraje
La piedra es el cristal de tu camino
El cantor suaviza tu viaje
Tu casa es tu castillo y cementerio
Has visto nacimientos y difuntos en el ataúd
Has visto juramentos de amor y adulterio
Has visto frutas dulces y la falta de pan
No muestra el dolor tan atragantado
No llora, no se queja de nada
Es duro como madera petrificada
¡Es Hércules, Sansón y Lampião!
Severino luchador
Severino lucha más
Nordestino mata y grita, se retuerce y se agita
Pero su mundo no tiene paz
Severino luchador
Severino lucha más
Nordestino mata y grita, se retuerce y se agita
Pero su mundo no tiene paz
Severino luchador
Severino lucha más
Nordestino mata y grita, se retuerce y se agita
Pero su mundo no tiene paz
Severino luchador
Severino lucha más
Nordestino mata y grita, se retuerce y se agita
Pero su mundo no tiene paz