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Tres Silbatos

Augusto César

Três Apitos

Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você

Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
E está interessada
Em fingir que não me vê

Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Por que não atende ao grito
Tão aflito
Da buzina do meu carro

Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé com agasalho
Nem no frio você crê

Mas você é mesmo artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você

Nos meus olhos você lê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente
Impertinente
Que dá ordens a você

Sou do sereno, poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe por quê

Mas você não sabe
Que enquanto você faz pano
Faço junto do piano
Estes versos pra você

Tres Silbatos

Cuando el silbato de la fábrica de telas
Viene a herir mis oídos
Me acuerdo de ti

Pero tú andas
Sin duda muy enojada
Y estás interesada
En fingir que no me ves

Tú que respondes al silbato de una chimenea de barro
¿Por qué no respondes al grito
Tan angustiado
Del claxon de mi auto?

Tú en invierno
Sin medias vas al trabajo
No crees en abrigarte
Ni en el frío tú crees

Pero tú eres un artículo que no se imita
Cuando la fábrica silba
Hace publicidad de ti

En mis ojos lees
Que sufro cruelmente
Con celos del gerente
Impertinente
Que te da órdenes a ti

Soy del sereno, poeta muy sombrío
Voy a convertirme en guardia nocturno
Y tú sabes por qué

Pero tú no sabes
Que mientras tú haces tela
Yo hago junto al piano
Estos versos para ti

Escrita por: Noel Rosa