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Soldado da Paz

Aysù

Cidade escargot? Cidade esgoto
Cidade pra quem? Eu não sou doutor
Cê não entendeu? Pelo amor de Deus
Cidade Baixa, abaixo, adeus
Esse é o plano, sufocando, especulando
Espelunca não, me respeite
Jamais um engravatado
Entenderá o afeto de um lar
Quadrados de concreto não vão me comprar
Se minha mera existência é resistência
No seu discurso falta coerência
Pra dizer o mínimo
Salário mínimo é o máximo
Em anos de trabalho suado que a gente consegue

Mas minha natureza ninguém vai tirar
Leve como ar
Veja o pôr do Sol
Pra entender o meu farol
Puxa o anzol

Há uma mística nessa cidade linda
São Salvador, São Salvador
São Salvador, São Salvador
São Salvador

Sou de Salvador que todo Brasil fala
Sou de Salvador que conhece a bala
Cala o orgulho e preenche de medo
O início é mágico, o fim trágico
Cê sabe o enredo
Onde or menino vira homi cedo
Mar os homi fala: Pegamo ur minino
Ribeira né lixeira
Mas jogaram a sujeira
E agora tem cloro na suburbana
Atravessaram o mar
Chegaram em Itaparica
Sionistas em Itacaré
Quem fica nessa maré
Isso aqui né conto de fada
Sou de Salvador que já não salva mais nada

Mas se for pra me render ao som do momento
Pra ser levado ao sopro mais fraco do vento
Não vou fechar com facção
Som de alienação
Canto do coração
Um canto de cor
Um poema, com forma de amor
Sou poeta de rua, de São Salvador

Escrita por: Pedro Herique Lacerda