Olhei pro seu rosto e vi o cansaço
De um amor que nasceu e logo morreu
Eu estendi a mão, você não quis o abraço
E a semente que dei, de nós se perdeu
A vida é um plano que a gente desenha
Mas o tempo é quem manda na construção
A tinta derrama e a gente se empenha
Mas a mancha insiste no meu coração
É a mancha no chão, é a dor que não passa
É o peso da obra, que não se aprontou
Ficou o vazio, o silêncio da praça
A marca da gente, que nunca brotou
Não fiz o poema, não fiz a canção
A casa tá pronta, mas falta morar
Ficou o silêncio, a falta de chão
A nota que a sanfona não quer mais tocar
O que não aconteceu, agora é estrada
É poeira que o vento não quer carregar
Eu deixo pra trás essa vida parada
E sigo cantando o que não deu pra amar
É a mancha no chão, é a dor que não passa
É o peso da obra, que não se aprontou
Ficou o vazio, o silêncio da praça
A marca da gente, que nunca brotou
É a mancha no chão, é a dor que não passa
É o peso da obra, que não se aprontou
Ficou o vazio, o silêncio da praça
A marca da gente, que nunca brotou