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Hiroshima

Banda Nami

Hiroshima, teus olhos verdes
Queimando na fumaça preta
Teu sorriso é um abrigo
Com a porta sempre aberta

Hiroshima, dança comigo
Antes que a cidade derreta
Tem um Sol preso no vidro
E uma sombra na sarjeta

Ela acende outro cigarro
Com a chama de um avião
Diz que o amor é um desastre
Com excelente produção

Os garçons viraram estátuas
Os espelhos pedem perdão
E o fantasma bate palmas
No meio da explosão

Vai cair, vai cair
Toda estrela artificial
Vai cair, vai cair
Sobre o nosso carnaval

Cogumelo, poeira pra todo lado
Um flash atravessa o vale
Tá todo mundo queimado

Pega fogo, Satanás

Cogumelo, beijo radioativo
O futuro chega tarde
E o passado vem ao vivo
Pega fogo, Satanás

De casaco Teddy amarelo
Ela gira sem tocar o chão
Cada passo abre uma cratera
Cada gesto, outra estação

Lá vem o fantasma de novo
Com medalhas na lapela
Fala em nome dos mortos
Mas não lembra o nome dela

Tem confete sobre os corpos
Tem champanhe no porão
Tem um DJ sem cabeça
Comandando a evacuação

Vai cair, vai cair
Chuva negra no jardim
Vai cair, vai cair
E ninguém pergunta o fim

Cogumelo, poeira pra todo lado
Um flash atravessa o vale
Tá todo mundo queimado

Pega fogo, Satanás

Cogumelo, beijo radioativo
O futuro chega tarde
E o passado vem ao vivo

Pega fogo, Satanás

Ela disse
Não foi Deus, não foi o Diabo
Foi um homem bem treinado
Com um cálculo perfeito
E um botão iluminado

Ela disse
Não foi ódio, foi progresso
Não foi crime, foi processo
Todo monstro usa terno
Quando assina o próprio excesso

Hiroshima, teus olhos verdes
Procurando alguma saída
Entre a fumaça e os flashes
Entre a morte e a vida

Hiroshima, fica comigo
Até a última semente
Quando o mundo fecha as portas
A gente floresce novamente

Cogumelo, poeira pra todo lado
Um flash atravessa o vale
Tá todo mundo queimado

Pega fogo, Satanás

Cogumelo, baile radioativo
Todo mundo dança estranho
Todo mundo dança vivo

Pega fogo, Satanás

E vai caindo do céu
E vai caindo do céu
E vai caindo do céu
Cinza, memória e papel

E lá vem ela
Lá vem ela
Vagando, desenterrando o passado

De casaco Teddy amarelo
Meio torta
Meio bela
Com o coração aceso
E o olhar carbonizado

Escrita por: Silnei Laise de Andrade