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Cobra De Vidrio

Banzé

Cobra De Vidro

Os mortos enfeitam as ruas
junto ao perfume de lixo e gás
do Oratório a Santo Amaro
das rodovias às marginais

Sigo o cortejo agourento
Como a uma procissão
nada me resta de concreto
além da solidão

sob o cimento

nenhum som ou movimento
só o silêncio, só o silêncio
ideais ou sentimentos
só o silêncio, só o silêncio
não há dor ou sofrimento
só o silêncio, só o silêncio

nem perdição, nem firmamento
nem julgamento, nem redenção
nem emoção, nem pensamento
nem desalento, nem salvação

Sigo o cortejo agourento
Como a uma procissão
nada me resta de concreto
além da solidão

sob o cimento

nenhum som ou movimento
só o silêncio, só o silêncio
ideais ou sentimentos
só o silêncio, só o silêncio
não há dor ou sofrimento
só o silêncio, só o silêncio

Cobra De Vidrio

Los muertos adornan las calles
junto al perfume de basura y gas
Desde Oratório hasta Santo Amaro
de las autopistas a las marginales

Sigo el cortejo lúgubre
Como a una procesión
nada me queda de concreto
más allá de la soledad

bajo el cemento

ningún sonido o movimiento
sólo el silencio, sólo el silencio
ideales o sentimientos
sólo el silencio, sólo el silencio
no hay dolor o sufrimiento
sólo el silencio, sólo el silencio

ni perdición, ni firmamento
ni juicio, ni redención
ni emoción, ni pensamiento
ni desaliento, ni salvación

Sigo el cortejo lúgubre
Como a una procesión
nada me queda de concreto
más allá de la soledad

bajo el cemento

ningún sonido o movimiento
sólo el silencio, sólo el silencio
ideales o sentimientos
sólo el silencio, sólo el silencio
no hay dolor o sufrimiento
sólo el silencio, sólo el silencio

Escrita por: Meneghini / Rabelo