Astrolábio
Ai, hoje a saudade me arrebatou
De um jeito um tanto contumaz
Quão grande é o meu temor
Se tudo lá é céu e mar
Me diz, ó Lua, o que só tu vês
Para que eu fique em paz
És lua tão esbelta
Se levas minha dor
És proa, verso e guia
Do meu navegador
Que se foi sem, ao menos, avisar
Vela ao mar, zela o mar, vela o mar
E assim me deixou louca a perguntar
Onde está? Onde está? Onde está?
Mas sei que só tu podes me ajudar
Procurar! Procurar! Procurar!
Se acaso o encontrares
Nestes mares, nestes mares
Não digas que me viste rezando
Ao vê-lo refletido sob o véu dos teus luares
Não digas que me viste chorando
O céu que me perdoe
Não culpe a pretensão
Por seres aparato
De um triste coração
Se acaso naufragares
Nestes mares, nestes mares
Vai e diz que me viste, correndo
Ao ter que, então, perdê-lo
Fecho os olhos pros teus ares
Vai e diz que me viste morrendo
Astrolabio
Hoy la nostalgia me arrebató
De una manera bastante persistente
Qué grande es mi temor
Si todo allá es cielo y mar
Dime, oh Luna, lo que solo tú ves
Para que pueda estar en paz
Eres una luna tan esbelta
Si llevas mi dolor
Eres proa, verso y guía
De mi navegante
Que se fue sin siquiera avisar
Vela al mar, cuida el mar, vela el mar
Y así me dejó loca preguntando
¿Dónde está? ¿Dónde está? ¿Dónde está?
Pero sé que solo tú puedes ayudarme
¡Buscar! ¡Buscar! ¡Buscar!
Si acaso lo encuentras
En estos mares, en estos mares
No digas que me viste rezando
Al verlo reflejado bajo el velo de tus lunares
No digas que me viste llorando
Que el cielo me perdone
No culpes la pretensión
Por ser el adorno
De un triste corazón
Si acaso naufragas
En estos mares, en estos mares
Ve y di que me viste, corriendo
Al tener que, entonces, perderlo
Cierro los ojos a tus aires
Ve y di que me viste muriendo
Escrita por: André Nepomuceno / Henrique Nepomuceno / Pedro Cariello