Praga reaparece
Amplo é seu retrato
Com febre, refugiado
Espoliado
E nada mais me move
Guerra que nunca foi embora
Constante como os ventos no alto cume
Onde as luzes não se movem mais
Fome, tristeza na certeza, desconsolação
Entre o mergulho do abismo
Entre a alegria em cada aflição
Lobo em pele de ovelha, cheio de oportunismo
Enquanto doutores orientam a sermos submissos
(Cadê seu império?)
Aguardem a fúria dos refugiados
E a firme espada da revolução
Da sua mente, logo ali
Bem aqui
Mas porque a morte?
Mistério entre estrelas
Outro cigarro queimando em minha frente
Paciência
Efeito inevitável da impermanência
Você entende?
Ou está aí sufocando sua mente?
Com seu desejo cego de entretenimento
(Mas quem é que está a olhar?)
Basta tocar o sino e parar
E, novamente
O covarde apertou o botão
Bum
Hiroshima, nagasaki
Corpos mutilados, sonhos apagados
Gaza sangra
Quantas mulheres e meninas?
Cadáveres sem nome, em opressão
Ouro, água e ar, tomados por diversão
Granada, Vietnã, panamá, coréia, golfo
Iraque, líbia, Síria, Afeganistão
Iêmen abandonada
Aleppo ensanguentada
Palestina arruinada, quanta ilusão
Tem que parar
(Tem que parar, tem que parar)
(Parar)
Oh, oh, oh
Vai
Combate ao terror (vai se foder)
É só um negócio para o senhor
A bomba cai e planta nossa dor (você nem vê)
É um apenas um contrato de valor
O povo morre de fome
Agora, agora, agora, agora
Abismo capital devorando crianças em um ritual
Restam migalhas de esperança
Em um mundo tão desigual
E a conta, quem é que vai pagar?
O que é que sobra agora?
Sarajevo, raqqa e mossul
Peregrino no escuro, sangue no mar
Oh, oh, oh, oh, ooh
Enlatados e remédios na sua mesa de jantar
Mas vamos subir pra ver o que é que vai restar
O fruto engana a mente
E arrebata os tecidos da realidade atroz
Mas vamos subir às estrelas para ver
O que restou de nós
Quem é que vai se importar?
Quem é que vai se importar?
Quem é que vai se importar?
Alguém tem que se importar