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Amor Anfetamina

Bebeto Alves

Acendo um cigarro
Enquanto tiro sarro
Enquanto um tiro soa
E acende a palavra
Um fio corta
É luz na sala
Onde um corpo dança
Há loucos espaços leves
Entre os pedaços que deixei
Pelo caminho
Deus, e eu rio
Fico pronto para qualquer guerra
E acho
Na certeza de que nada mais vai acontecer
Quando vai acabar a bebida
A igreja esvazia, sim
E uma sirene berra

E eu não vou desistir
Não vou desistir
Fico por aqui

Em tons de palavras
Que nos deixam no escuro
Fica um beijo derretido e será
Cena aberta
E lágrimas alcoólicas de ciúme escorrem
Outras não, nem tanto
Me sinto um elefante
Em qualquer ideia onde eu não vá caber
Digo: Só um instante, por favor
Pois cada bruta pedra
No caminho
É um núcleo de um poder que emana m
E onde o que reage à química dessa lei
Não é a beleza
Nem a natureza
De quem erra
De quem erra

Mas eu não vou desistir
Não vou desistir
Fico por aqui

Lendo livros que não se escreveram
E eram tantos que nem sei
Folhas soltas e água
Que é a forma de qualquer espaço
Vinho, carinho de amigo
Um conselho
Dores de umbigo não choram por ti
Aço, o inimigo se deve cuspir
Jogar fora
Como qualquer conversa
E com o vento
Num eterno quase
Um fim que não termina
Por todas esquinas
Onde nem todos iguais
Sonharão jamais
Com esse amor anfetamina

E eu não vou desistir
Não vou desistir
Fico por aqui

Acendo um cigarro
Enquanto tiro sarro

Escrita por: Bebeto Alves