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Natálí

Bernardo Sena

Na estrada da noite
Segui, leve sem chão
Dois caminhos seguindo
Sem medo nem peso
Ele seguia na frente
Eu seguia o seu jeito
Até a esquina do mundo
Onde o destino fez trecho

Ele virou à direita, eu pensei
Vai ser nosso
Mas era uma busca antiga
Um nome no peito natálí!
Ele me perguntou
Onde está Natálí?
Vamos alí?
Na parada de ônibus, o tempo parou
Muita gente olhando em volta
E eu invisível pairando, alí

Uh, oh, e eu vi o amado, brilhar!
Natálí, alí, era o altar!
Natálí, alí, era o altar!
Uma luz que ele carregou, sem me contar
Sorri de longe, sem poder tocar
Sorri de longe, tentando me calar
Sorri de longe, sem poder tocar
Ai aí aí!
Aí, ai áh!
Felicidade alheia! Também é lugar!
Amor que não grita, se basta em calar
Às vezes amar, é deixar o outro chegar!

Desceu do ônibus, uma força calma
Cabelos de história, olhos que acolhem a alma
Ele tremeu o mundo, abraçou a sua saga

E eu, na sombra discreta
Entendi que a jornada
Não era minha era dele
E estava tudo bem
Porque o amor que não sufoca
É o que mais, se sustenta

Quantas natálís existem por aí?
Quantos sonhos não são pra mim?
Mas hoje eu canto pro mundo ouvir
Amar não é ter é deixar partir

Úúh, ôoh, e eu vi o amado brilhar!
Natálí, alí, era o altar!
Natálí, alí, era o altar!
Uma luz que ele carregou, sem me contar
Sorri de longe, sem poder tocar
Sorri de longe, tentando me calar
Sorri de longe, sem poder tocar
Ai aí aí!
Aí, ai áh!
Felicidade alheia! Também é lugar!
Amor que não grita, se basta em calar
Às vezes amar, é deixar o outro chegar!

Escrita por: Bernardo Nobre Soares de Sena