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Zulmira

Bernardo Sena

Para alguns ela foi muito cedo
Para mim ela foi um segredo
Que guardo no meu coração
Com amor e gratidão
Nenhuma rainha teve tanta beleza e nobreza como minha avó
Que partiu numa rede de renda linda feita pelas mãos
Das rendeiras do sertão
Que bordaram com amor e devoção

Meu avô se despediu
Com o que tinha para dar
Um beijo, uma flor, uma prece, uma canção
Adeus à sua rainha do co do coração

Zulmira é Zuzu, Zulmira
Dona Zuzu Minha vovó
Nossa avó, Casa do Socorro éú
Minha e sua e de quem precisar e vier a Dona ZuZu
Zulmira é Zuzu, Zulmira
Dona Zuzu Minha vovó
Nossa avó, Casa do Socorro éú
Minha e sua e de quem precisar e vier a Dona ZuZu

Não consigo respirar direito
Não paro de chorar e soluçar
Não paro de pular e de tensão ficar batendo no peito
Agoniado deito debaixo da mesa sem saber o que fazer da vida direito
Mas ouço uma voz que vem me consolar
É a voz da minha avó querida
Que me diz com carinho
Pode chorar meu netinho
Pode desabafar, pular, bater no peito e debaixo da mesa ficar quietinho

Zulmira é Zuzu, Zulmira
Dona Zuzu Minha vovó
Nossa avó, Casa do Socorro éú
Minha e sua e de quem precisar e vier a Dona ZuZu
Zulmira é Zuzu, Zulmira
Dona Zuzu Minha vovó
Nossa avó, Casa do Socorro éú
Minha e sua e de quem precisar e vier a Dona ZuZu

Você não partiu, você se renovou
Em outra dimensão onde o tempo parou
Habita em meu sangue, em toda minha gente
Vive em meus objetos e dentro da minha mente
Mesmo sem ter me visto na forma humana
Sinto sua proteção que toda dor abana
Amando minha mãe, você me deu a mão
E hoje te guardo com luz no coração
Pode ir, vovó, sua missão foi vencida
Sua Casa do Socorro agora é minha vida

Zulmira é Zuzu, Zulmira
Dona Zuzu Minha vovó
Nossa avó, Casa do Socorro éú
Minha e sua e de quem precisar e vier a Dona ZuZu
Zulmira é Zuzu, Zulmira
Dona Zuzu Minha vovó
Nossa avó, Casa do Socorro éú
Minha e sua e de quem precisar e vier a Dona ZuZu

Escrita por: Bernardo Nobre Soares de Sena