O topo esquece a base que treme
O ouro descansa enquanto a prata geme
Torres de vidro cortando o céu
Escondem a fome atrás do véu
Carros blindados, vidros fechados
Sonhos vendidos, corpos calados
A verdade tem preço, a alma tem dono
E o pobre paga os juros do trono
O ferro range, a corrente aperta
O grito preso, a mente desperta
Dois mundos
A ceia e o osso
O banquete de poucos
No fundo do poço
Dois mundos
Na ponta da faca
O peso do mundo
Nas costas da massa
Dois mundos
Ninguém segura
A voz que se cala
Um dia irrompe
Taças erguidas brindam a miséria
Palácios erguidos sobre a tragédia
Que nasce do suor de quem não tem nome
Do trabalhador que se cala e some
A máquina gira, ninguém responde
O sistema engole e depois se esconde
Moendo sonhos na luz do dia
Chamando de ordem a covardia
O ferro range, a corrente aperta
O grito preso, a mente desperta
Dois mundos
A ceia e o osso
O banquete de poucos
No fundo do poço
Dois mundos
Na ponta da faca
O peso do mundo
Nas costas da massa
(Eles somam)
(Nós dividimos)
O silêncio veste a corrupção
A indiferença aperta a mão
Muros altos, olhos baixos
Verdades presas em velhos contratos
(Rasgue o véu)
(Sinta o chão)
(A história muda de direção)
Dois mundos
A ceia e o osso
O banquete de poucos
No fundo do poço
Dois mundos
Na ponta da faca
O peso do mundo
Nas costas da massa
Dois mundos
Ninguém segura
A voz de quem sobrevive
No meio do caos
(Olha o estrago)
O muro desaba
(Olha o estrago)
A máscara cai
(Olha o estrago)
Rasgue o véu
(Olha o estrago)
Sinta o chão