Fulô da Margem
Não sou fulô que se cheire
E que se deixe murchar
Nem sou o mato onde morre
Onde corre a Estrela Dalva
Eu não sou corpo que se corte
Eu não sou sorte que se enjeite
Eu não sou porto que se deixe
Moreno, eu sei me levar
Eu não sou carne e nem sou peixe, moreno
Rio abaixo, rio acima
Nem sou cacimba vazia
Que se enche de chorar
Eu não sou braço de mar, moreno
Que não se deixe abraçar
Nem sou a fulô da margem, moreno
Que não se possa cheirar
Fulô de la Orilla
No soy una flor que se huela
Y se deje marchitar
Tampoco soy el monte donde muere
Donde corre la Estrella de la Tarde
No soy un cuerpo que se corte
No soy suerte que se desprecie
No soy puerto que se abandone
Moreno, sé cómo llevarme
No soy carne ni soy pez, moreno
Río abajo, río arriba
Tampoco soy un pozo vacío
Que se llena de llorar
No soy un brazo de mar, moreno
Que no se deje abrazar
Tampoco soy la flor de la orilla, moreno
Que no se pueda oler
Escrita por: Capinan / Mirabô